Capítulo VII

Módulo 7B: Práticas de Manutenção (B3)

Guia de estudo da SkyLicence com diagramas.

Aplicação de Torque e Tipos de Rosca Aplicação de Torque e Tipos de Rosca Operação da Chave de Torque Escala de Nm Força (rotacional) Torque = Força × Distância T = F × d (Newton-metros, Nm) Valores especificados no AMM — precisão ±3% ⚠ A precisão da chave de torque deve ser igual ou melhor que a especificada (±3%). ±5% NÃO é aceitável. Adaptadores de Extensão (Crowfoot) 90°: sem correção Em linha: aplicar correção Comprimento efetivo muda → recalcular Procedimento de Verificação de Torque (Porca Autotravante) 1. Afrouxar a porca pelo menos 90° 2. Reapertar com torque na faixa especificada 3. Se a porca girar antes de atingir o valor → substituir a porca (gasta ou com torque excessivo) Tipos de Rosca Rosca V (Unificada) Ângulo incluído de 60° Uso geral, resistente Rosca Buttress Um lado vertical, outro inclinado Alta carga em uma direção Rosca Acme Ângulo incluído de 29° Usada para transmissão de potência Rosca Métrica ISO Ângulo incluído de 60° Tamanho em mm (ex.: M8 × 1,25) Identificação da Rosca • Passo: distância entre cristas • Diâmetro maior: maior diâmetro • Classe: tolerância de ajuste (ex.: 2A, 3B) Relação Torque-Elongação Torque (Nm) Elongação do Parafuso (mm) Escoamento Elástico (linear) Plástico Máximo Efeitos do Atrito • Atrito da rosca (50%) • Atrito do assento/face da porca (40%) • Força de aperto (apenas ~10%) O atrito consome a maior parte do torque! Fator de Lubrificação • Roscas lubrificadas → menos atrito • Mesmo torque → MAIS força de aperto • Risco: torque excessivo / escoamento do parafuso Use apenas a lubrificação especificada!
Fluxo de Trabalho de Práticas de Manutenção Fluxo de Trabalho de Práticas de Manutenção Pontos de Verificação de Fatores Humanos: Consciência de Fadiga • Foco na Tarefa • Comunicação • Conformidade com Procedimentos • Verificação por Pares 1. DOCUMENTAÇÃO • Usar apenas dados aprovados • AMM / SRM / SB / AD • Verificar a revisão mais recente • Verificar a aplicabilidade da tarefa • Rever requisitos de ferramentas FH 2. CONTROLE DE FERRAMENTAS • Selecionar ferramentas calibradas • Verificar a precisão da chave dinamométrica • ±3% ou melhor exigido • Controle de ferramentas / prevenção de FOD • Quadros de sombra & contagem de ferramentas FH 3. APLICAÇÃO DE TORQUE • Ajustar a chave ao valor do AMM • Unidades Nm conforme dados de manutenção • Adaptador de 90°: sem correção • Adaptador em linha: corrigir comprimento • Porca autotravante: afrouxar 90° FH 4. INSPEÇÃO • Verificações visuais e dimensionais • Verificar a segurança dos fixadores • Verificar arame de segurança / pinos de cotter • Inspecionar sinais de corrosão • Superfícies de contato e furos de fixadores FH 5. ASSINATURA / CERTIFICAÇÃO • Completar registros de manutenção • Assinatura do pessoal certificador • Aeronave liberada para serviço • Entradas de registro conforme Parte-66 / M • Reter registros conforme regulamentos FH 6. RETORNO AO SERVIÇO • Aeronave pronta para operação • Todas as tarefas concluídas e assinadas • Sem defeitos pendentes • Documentação arquivada • Ferramentas contabilizadas FH FATOS-CHAVE: • Precisão da chave dinamométrica: ±3% ou melhor exigido (especificado no AMM) • Adaptador de cotovelo de 90°: nenhuma correção necessária • Adaptador em linha: fator de correção exigido • Porcas autotravantes: uso único, afrouxar 90° e reapertar para verificar • Arame de segurança: deve puxar o fixador na direção de aperto • Rebites soltos: devem ser removidos e substituídos FH Ponto de verificação de Fatores Humanos

Módulo 7B: Práticas de Manutenção (B3) – Material de Estudo Abrangente

1. Visão Geral do Módulo

O Módulo 7B é um módulo fundamental para a licença EASA Part-66 B3 (Helicóptero), cobrindo os aspetos práticos e teóricos da manutenção de aeronaves. Ele preenche a lacuna entre os princípios básicos de engenharia e os procedimentos específicos e críticos para a segurança usados na manutenção de helicópteros. O módulo foi concebido para incutir uma compreensão profunda de porquê as tarefas são realizadas de uma forma específica, enfatizando a segurança, a conformidade com dados aprovados e o uso de técnicas corretas.

O módulo cobre um amplo espetro de tópicos, desde precauções de segurança fundamentais e práticas de oficina até procedimentos detalhados para fixadores, materiais, controlo de corrosão e testes de sistemas. Para a categoria B3, há uma ênfase significativa em componentes específicos de helicópteros, como sistemas de rotor, transmissões e sistemas de controlo de voo. O tema abrangente é que todas as ações de manutenção devem ser realizadas de acordo com dados aprovados (por exemplo, Manuais de Manutenção de Aeronaves, Boletins de Serviço) e que o pessoal certificador é responsável pela aeronavegabilidade da aeronave após a manutenção.

2. Conceitos-Chave Explicados em Detalhe

2.1 Precauções de Segurança e Práticas de Oficina

A segurança é a preocupação primordial em toda a manutenção de aeronaves. Esta secção cobre as regras fundamentais que protegem tanto o técnico como a aeronave.

Segurança Pessoal: Use sempre Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado, incluindo óculos de segurança, proteção auditiva e vestuário apropriado. Esteja ciente dos perigos associados a máquinas rotativas, sistemas de alta pressão e materiais perigosos.
Segurança contra Incêndios: Compreenda o triângulo do fogo (combustível, oxigénio, calor) e as classes de incêndio (A, B, C, D). Use o extintor correto para a classe de incêndio. Por exemplo, a água é inadequada para incêndios elétricos ou de líquidos inflamáveis. Esteja ciente do ponto de inflamação de solventes e produtos químicos. O ponto de inflamação é a temperatura mais baixa à qual um líquido liberta vapor suficiente para inflamar. Usar um solvente com baixo ponto de inflamação numa área confinada sem ventilação é um risco de incêndio significativo. Consulte sempre a Ficha de Dados de Segurança (FDS) e o AMM para o solvente correto e a sua utilização segura.
Segurança da Aeronave:
Bloqueio e Etiquetagem: Antes de qualquer manutenção, garanta que a aeronave está devidamente segura. Isto inclui aplicar o travão de estacionamento, calçar as rodas e instalar pinos de segurança no trem de aterragem e nos sistemas de controlo de voo.
Perigos Hidráulicos e Pneumáticos: Antes de trabalhar em sistemas hidráulicos ou pneumáticos, garanta que estão despressurizados. Fluidos de alta pressão podem penetrar na pele e causar ferimentos graves. Esteja ciente do perigo de "pontos de aperto" ao mover componentes como o trem de aterragem ou os controlos de voo. Garanta folga adequada e tenha uma segunda pessoa disponível para operar os controlos, se necessário.
Limpeza: Um espaço de trabalho limpo e organizado é essencial. Óleo ou fluidos derramados devem ser limpos imediatamente para evitar escorregamentos e quedas. As ferramentas devem ser contabilizadas para prevenir Danos por Objeto Estrangeiro (FOD).
Precauções com Ligas de Magnésio: Ligas de magnésio são usadas em algumas caixas de engrenagens e rodas. São altamente inflamáveis, especialmente na forma de aparas finas ou pó. Ao perfurar ou maquinar magnésio, a perfuração a seco é obrigatória. Usar lubrificantes à base de óleo pode criar um incêndio violento. Se ocorrer um incêndio de magnésio, iO incêndio deve ser extinto com um extintor de Classe D (ex.: pó químico seco), nunca com água.

2.2 Elementos de Fixação e Dispositivos de Travamento

A integridade de um helicóptero depende da correta seleção, instalação e travamento dos elementos de fixação.

Aplicação de Torque:
O torque é a medida da força rotacional aplicada a um elemento de fixação. O torque correto é fundamental para garantir que o elemento de fixação esteja apertado o suficiente para segurar a junta, mas não tão apertado que ceda ou se parta.
Os valores de torque são especificados no AMM e são fornecidos em Newton-metros (Nm).
Precisão da Chave Dinamométrica: A precisão de uma chave dinamométrica deve ser igual ou superior à precisão especificada nos dados de manutenção (ex.: ±3%). A utilização de uma chave com menor precisão (±5%) não é aceitável, pois pode levar a uma força de aperto incorreta.
Adaptadores de Extensão (Chaves de Cotovelo): Ao utilizar um adaptador de extensão, a sua orientação afeta a leitura do torque. Se o adaptador estiver num ângulo de 90 graus em relação ao cabo da chave, o comprimento efetivo da chave permanece inalterado e a leitura do torque é precisa. Se o adaptador estiver em linha com a chave, o comprimento efetivo aumenta e deve ser aplicado um fator de correção à definição da chave.
Verificações de Torque: Uma verificação de torque é realizada para confirmar que um elemento de fixação ainda está apertado com o valor correto. No caso de uma porca autotravante, o torque de atrito (a resistência do dispositivo de travamento) pode dar uma leitura falsa. O procedimento correto é afrouxar a porca pelo menos 90 graus e depois reapertá-la até ao intervalo especificado. Se a porca rodar antes de a chave dinamométrica atingir o valor especificado, isso indica que o elemento de travamento está desgastado ou que o elemento de fixação foi apertado em excesso, devendo ser substituído.
Porcas Autotravantes:
Estas porcas utilizam uma rosca deformada ou um inserto de nylon para proporcionar atrito e evitar o afrouxamento sob vibração.
Substituição: As porcas autotravantes são geralmente itens de utilização única. Uma vez removidas, a sua capacidade de travamento fica comprometida e devem ser substituídas por novas. O AMM ou o IPC especificarão se é necessária uma porca nova. A reutilização de uma porca com base em inspeção visual não é aceitável.
Verificação da Capacidade de Travamento: A capacidade de travamento de uma porca autotravante é verificada medindo o seu torque de atrito. Isto é feito enroscando a porca num parafuso ou perno e medindo o torque necessário para a rodar. O torque de atrito mínimo é especificado no AMM ou nos dados do fabricante da porca.
Contrapinos (Chavetas):
Utilizados com porcas casteladas para proporcionar um bloqueio mecânico positivo.
Instalação: A técnica correta é inserir o pino através do furo no parafuso e das ranhuras na porca. Em seguida, dobrar uma perna para cima contra a haste do parafuso e a outra perna para baixo sobre uma face plana da porca. Isto evita a rotação do pino e fixa a porca.
Arame de Segurança:
Um método de travamento de elementos de fixação com arame.
Instalação: O arame de segurança deve ser instalado de modo a puxar o elemento de fixação na direção de aperto. O método padrão é o método de dupla torção, em que o arame é torcido entre os elementos de fixação. O arame deve ser encaminhado de modo a evitar arestas vivas e deve estar esticado.
Arame de Segurança Solto: Se for encontrado um arame de segurança solto, isso indica possível movimento do elemento de fixação. A ação correta é remover o arame, verificar o torque do elemento de fixação e, se estiver seguro, instalar um novo arame de segurança.- Rebites:
Utilizados para fixação estrutural permanente.
Rebites Soltos: Um rebite solto não pode ser re-cravado ou selado. Deve ser removido e substituído por um fixador idêntico, conforme o Manual de Reparação Estrutural (SRM).
Passo do Rebite: O espaçamento (passo) entre rebites é um parâmetro de projeto crítico. Deve seguir as instruções do fabricante ou dados aprovados. Desviar do passo especificado sem uma disposição de engenharia não é aceitável.

2.3 Materiais e Corrosão

Compreender os materiais e os seus mecanismos de degradação é crucial para identificar defeitos e realizar reparações corretas.

Corrosão:
A corrosão é a degradação eletroquímica de um metal. É uma grande preocupação para a aeronavegabilidade.
Tipos de Corrosão:
Corrosão Superficial (Ataque Uniforme): A forma mais comum. Aparece como uma corrosão geral ou picagem da superfície. Em ligas de alumínio, aparece como um depósito branco em pó. É frequentemente o primeiro estágio de corrosão mais severa.
Corrosão Intergranular: Ocorre ao longo dos limites de grão do metal. Não é visível como pó e pode ser muito insidiosa, enfraquecendo a estrutura sem sinais visíveis.
Fissuração por Corrosão Sob Tensão (SCC): Ocorre num ambiente corrosivo sob tensão de tração. Aparece como fissuras e pode levar a uma falha catastrófica.
Corrosão Filiforme: Ocorre sob revestimentos (tinta) como filamentos semelhantes a fios.
Inspeção de Corrosão: As áreas críticas a inspecionar são aquelas onde a humidade e os contaminantes se acumulam, tais como superfícies de contacto (onde duas peças são unidas) e furos de fixadores. A inspeção visual da superfície por si só é insuficiente.
Remoção de Corrosão: Se a corrosão estiver dentro dos limites admissíveis (por exemplo, até 10% da espessura do revestimento), pode ser eliminada por lixamento para remover as picagens e, em seguida, tratada com um inibidor de corrosão. Se a profundidade exceder os limites, é necessária reparação ou substituição.
Proteção contra Corrosão: O Primário de Cromato de Zinco é um inibidor de corrosão comum. Contém cromatos que passivam a superfície do alumínio, prevenindo a corrosão. Também promove a adesão dos revestimentos de acabamento.
Materiais Não Metálicos:
Plástico Reforçado com Fibra de Vidro (GFRP): Utilizado em carenagens e componentes não estruturais. A avaliação de danos começa com a comparação do dano com os Limites de Danos Admissíveis (ADL) do fabricante. Se estiver dentro dos limites, pode ser realizada uma reparação conforme o AMM/SRM.
Janelas Acrílicas (Plexiglass): Propensas a microfissuração (fissuras finas) e fissuração. Fissuras em acrílico são geralmente não reparáveis; a janela deve ser substituída. A perfuração de paragem não é um método aprovado para acrílico.
Revestimentos de Tecido: Pequenos rasgos em tecido podem ser reparados com um remendo de tecido aprovado, tipicamente usando um adesivo ativado por calor e uma sobreposição mínima conforme especificado no AMM ou nas instruções do fabricante do tecido.- Vedações e Fluidos:
Anéis de Vedação (O-Rings): Ao instalar um novo anel de vedação, é fundamental lubrificá-lo com um fluido hidráulico compatível para evitar danos durante a instalação e garantir o assentamento adequado. O uso de ferramentas para esticar o anel de vedação pode causar cortes.
Fluidos Hidráulicos: O AMM especifica o tipo correto de fluido hidráulico (por exemplo, MIL-H-5606). A mistura de fluidos incompatíveis (por exemplo, Skydrol 500B-4) pode causar danos às vedações e falha do sistema. O uso de um fluido alternativo não é permitido sem a aprovação do fabricante.
Mangueiras Flexíveis: As mangueiras têm uma vida útil limitada, frequentemente indicada pela data de fabricação. O número da peça deve corresponder ao IPC. Durante a inspeção, atrito superficial pode ser aceitável, mas danos mais profundos exigem substituição. Fita adesiva não é uma reparação aprovada.

2.4 Técnicas de Inspeção e Medição

A medição e a inspeção precisas são fundamentais para determinar a condição dos componentes.

Ferramentas de Medição:
Micrômetro: Usado para medições externas precisas. Uma leitura dentro da tolerância especificada indica que o componente está em condições de serviço. Por exemplo, um pino de pistão medindo 25,43 mm com um limite especificado de 25,40 a 25,45 mm está dentro da tolerância.
Relógio Comparador (DTI): Usado para medir o desvio de concentricidade (runout). O apalpador do DTI deve estar perpendicular à superfície. A Leitura Total do Indicador (TIR) é a diferença entre as leituras máxima e mínima durante uma rotação completa.
Multímetro Digital: Ao medir a resistência, o componente deve estar isolado do circuito para evitar caminhos paralelos que dariam leituras incorretas. A energia deve estar desligada para evitar danos ao multímetro.
Aterramento Elétrico (Bonding):
O bonding garante um caminho elétrico de baixa resistência entre os componentes e a estrutura da aeronave. Isso é fundamental para a proteção contra raios, descarga estática e operação do sistema.
A resistência de bonding é medida com um micro-ohmímetro e deve ser muito baixa (tipicamente abaixo de 0,1 ohm). Uma leitura mais alta (por exemplo, 0,5 ohm) indica bonding deficiente, geralmente devido a corrosão, conexões soltas ou uma fita danificada. A ação correta é inspecionar e corrigir o caminho de bonding.
Para sistemas de combustível, uma resistência de bonding inferior a 10 ohms é frequentemente especificada. Se uma leitura estiver alta (por exemplo, 12 ohms), o primeiro passo é limpar as superfícies de contato e medir novamente. Se a resistência permanecer excessiva, a fita de bonding ou o componente deve ser reparado ou substituído.

2.5 Práticas de Manutenção Específicas de Helicópteros

Esta seção aborda os aspectos exclusivos da manutenção de helicópteros.

Sistemas de Rotor:
Inspeção de Pás: Danos às pás do rotor são avaliados em relação aos limites do AMM. Por exemplo, um amassado no bordo de ataque de até 0,5 mm de profundidade pode ser aceitável. Se o amassado estiver dentro dos limites, a pá está em condições de serviço, e a constatação deve ser registrada no diário de bordo para acompanhamento.
Rastreamento e Balanceamento de Pás: Esta é uma tarefa de manutenção programada realizada para reduzir a vibração e garantir a operação suave do rotor. O rastreamento garante que as pás sigam o mesmo caminho; o balanceamento corrige diferenças de massa. O balanceamento estático é alcançado adicionando ou removendo pesos em locais designados (ponta ou raiz) conforme as instruções do fabricante.
Fita de Proteção do Bordo de Ataque (Erosion Tape): Se a delaminação exceder o limite permitido pelo AMM (por exemplo, 25 mm), o componente deve ser reparado ou substituído conforme as instruções do fabricante. Desviar do manual não é permitido.
RotorAmortecedores da Cabeça do Rotor: Um amortecedor com fugas não consegue desempenhar corretamente a sua função, o que pode levar à instabilidade do rotor. O amortecedor deve ser substituído ou revisado conforme o manual de manutenção.
Remoção das Pás: Antes de remover uma pá do rotor principal, o helicóptero deve ser apoiado em macacos e a cabeça do rotor fixada para evitar que incline devido à alteração do equilíbrio.
Trem de Aterragem:
Testes de Recolha: Antes de qualquer teste de recolha, os pinos de segurança devem ser instalados no trem de aterragem para evitar uma recolha acidental se o sistema for inadvertidamente ativado. O trem deve estar sobre macacos.
Amortecedores de Choque: O AMM especifica o fluido hidráulico correto. A utilização de um fluido alternativo não é permitida.
Manutenção do Motor:
Inspeção do Filtro de Óleo: Ao substituir um filtro de óleo, este deve ser cortado e inspecionado quanto a contaminação metálica como parte da monitorização da saúde do motor. O filtro e o seu conteúdo são considerados resíduos perigosos e devem ser eliminados num contentor aprovado.
Exsudação de Óleo no Magneto: Uma exsudação ligeira de óleo à volta do magneto é frequentemente devida a parafusos de fixação soltos ou a uma junta com fugas. Apertar e limpar é uma ação corretiva padrão. Se a exsudação persistir, é necessária uma investigação mais aprofundada.

2.6 Peso e Balanceamento

O peso e balanceamento é crítico para a operação segura de qualquer aeronave.

Princípios: O peso vazio e o CG de uma aeronave são registados nos registos de peso e balanceamento. Qualquer modificação que altere o peso vazio ou o CG deve ser refletida nesses registos.
Cálculos: O CG é calculado dividindo o momento total pelo peso total.
Exemplo: Peso vazio = 700 kg, CG = 2,5 m à ré do datum. Adicionar um passageiro (85 kg) a 3,0 m à ré do datum.
Momento total = (700 kg × 2,5 m) + (85 kg × 3,0 m) = 1750 + 255 = 2005 kg·m.
Peso total = 700 + 85 = 785 kg.
Novo CG = 2005 / 785 = 2,55 m à ré do datum.

2.7 Documentação e Registo de Defeitos

A documentação adequada é um requisito legal e de segurança.

Registo de Defeitos: Qualquer defeito ou anomalia encontrado durante uma inspeção deve ser registado. A decisão de regressar ao serviço depende dos limites definidos no AMM ou no MEL/CDL do operador.
Defeitos Cosmético: Para defeitos cosméticos não estruturais que estejam dentro dos limites do AMM, a ação correta é registar o defeito e regressar ao serviço. A reparação pode ser adiada se o AMM o permitir.
Dados Aprovados: Toda a manutenção deve ser realizada de acordo com dados aprovados, que incluem o AMM, SRM, Boletins de Serviço e Diretivas de Aeronavegabilidade. O desvio destes dados não é permitido, exceto se autorizado pelo fabricante através de uma aprovação de projeto de reparação.

3. Fórmulas e Regulamentos Importantes

Fórmulas:
Centro de Gravidade (CG): \( CG = \frac{\text{Momento Total}}{\text{Peso Total}} \)
Momento: \( \text{Momento} = \text{Peso} \times \text{Braço} \)- Regulamentos:
EASA Part-66 (Regulamento (UE) n.º 1321/2014, Anexo III): Este regulamento define os requisitos para a certificação do pessoal de manutenção de aeronaves. Descreve o programa de conhecimentos (Apêndice I) e os privilégios do pessoal certificador.
EASA Part-145 (Regulamento (UE) n.º 1321/2014, Anexo II): Este regulamento define os requisitos para as organizações de manutenção. Exige que toda a manutenção seja realizada utilizando dados aprovados.
Manual de Manutenção da Aeronave (AMM): A fonte primária de dados aprovados para tarefas de manutenção. Contém procedimentos específicos, valores de binário, tolerâncias e precauções de segurança.
Manual de Reparação Estrutural (SRM): Fornece dados aprovados para reparações estruturais.
Catálogo de Peças Ilustrado (IPC): Utilizado para identificar os números de peça corretos para componentes.
Ficha de Dados de Segurança (SDS): Fornece informações sobre os perigos e o manuseamento seguro de produtos químicos e solventes.

4. Relações Comuns Entre Conceitos

Segurança e Procedimento: Cada procedimento de manutenção é concebido com a segurança como consideração primordial. Pinos de segurança, despressurização e ferramentas adequadas estão todos interligados para prevenir lesões e danos.
Inspeção e Documentação: Encontrar uma avaria é apenas o primeiro passo. A avaria deve ser avaliada de acordo com os dados aprovados (AMM/SRM) e depois devidamente documentada. Isto cria um registo rastreável da condição da aeronave.
Integridade dos Elementos de Fixação e Aeronavegabilidade: O binário correto, o bloqueio e a condição dos elementos de fixação estão diretamente relacionados com a integridade estrutural e a segurança da aeronave. Um elemento de fixação solto ou danificado pode levar a uma falha catastrófica.
Corrosão e Ambiente: A corrosão é um processo natural que é acelerado pela humidade, contaminantes e má proteção de superfície. Inspeções regulares e prevenção adequada da corrosão (por exemplo, primários, selantes) são essenciais para gerir este risco.
Dados Aprovados e Ações de Manutenção: Todas as ações de manutenção, desde verificações de binário a reparações, devem ser realizadas de acordo com os dados aprovados. Isto garante que a aeronave é mantida a um padrão aceitável para a autoridade reguladora.

5. Pontos Típicos de Foco no Exame

Precauções de Segurança: As perguntas focam-se frequentemente na ação de segurança específica exigida antes de uma tarefa, como instalar pinos de segurança antes de um teste de retração, ou nos perigos do manuseamento de materiais como o magnésio.
Práticas de Elementos de Fixação: Esteja preparado para perguntas sobre a precisão da chave dinamométrica, o efeito dos adaptadores de extensão, a instalação correta de chavetas e arame de segurança, e a utilização única das porcas autoblocantes.
Identificação de Corrosão: Deve ser capaz de identificar diferentes tipos de corrosão (por exemplo, superficial, intergranular) e conhecer a ação correta para corrosão dentro e fora dos limites admissíveis.
Propriedades dos Materiais: Conheça a ação correta para defeitos em diferentes materiais, como substituir janelas de acrílico rachadas, reparar rasgos em tecido e avaliar danos em GFRP.
Medição e Inspeção: Compreenda os procedimentos corretos para utilizar ferramentas de medição (micrómetro, DTI) e a importância de isolar componentes antes de medições elétricas.
Tarefas Específicas de Helicópteros: Esteja familiarizado com o objetivo do rastreamento e balanceamento das pás, os procedimentos para a remoção das pás e a criticidade dos amortecedores do rotor.
Peso e Balanceamento: Seja capaz de realizar cálculos simples de CG e compreender os princípios básicos de pesagem e balanceamento.Compreender a importância de atualizar os registos de peso e balanceamento após modificações.
Documentação: Compreender a importância de registar defeitos e realizar manutenção de acordo com dados aprovados. Conhecer a diferença entre um defeito que está dentro dos limites e um que requer reparação ou substituição.

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